Japão supera EUA em ranking global de turismo; Brasil cai, mas mantém liderança na América Latina

O Japão ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo 2026, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial. O país asiático obteve a maior nota (5,27) entre 110 economias avaliadas, impulsionado por estratégias de diversificação de mercados e pela distribuição do fluxo de seus 42,7 milhões de turistas internacionais para fora dos circuitos tradicionais. O top 3 do índice é completado por Estados Unidos e Espanha, enquanto a China se destaca como o único país emergente entre os dez melhores.

O Brasil ficou na 32ª colocação geral, o que representa uma queda de cinco posições em comparação com a edição de 2024, mas foi o suficiente para manter a liderança na América Latina. Embora venha registrando recordes de arrecadação — com R$ 38,7 bilhões gastos por turistas estrangeiros até agosto de 2026 —, o desempenho brasileiro no índice é freado por gargalos históricos em infraestrutura de serviços, ambiente de negócios, sustentabilidade ambiental e qualificação de mão de obra.

O relatório global aponta que o turismo superou os níveis pré-pandemia, registrando 1,5 bilhão de chegadas em 2025, mas faz um alerta para novos desafios estruturais. A superlotação de destinos, o aumento dos custos de viagem acima da inflação, a falta de profissionais qualificados e o risco crescente de eventos climáticos extremos exigem que os países invistam mais em gestão e infraestrutura, não apenas em atração de visitantes. Nações como Albânia, Vietnã e Laos foram as que registraram a maior evolução no levantamento.

Opinião do site

O levantamento do Fórum Econômico Mundial traz uma lição importante: o desenvolvimento turístico contemporâneo depende muito mais de gestão do que de recursos naturais inesgotáveis. O Japão chegou ao topo justamente por entender isso, promovendo a descentralização dos seus visitantes para evitar a superlotação e melhorar a experiência de quem viaja. É a prova de que qualidade e sustentabilidade superam o simples volume de pessoas.

Para o Brasil, a queda no ranking serve como um choque de realidade necessário. Celebrar os recordes de receita gerados por visitantes estrangeiros não pode mascarar as deficiências crônicas do país, que continua pecando na infraestrutura básica de serviços, na segurança jurídica do ambiente de negócios e na preservação ambiental. Ser o melhor da América Latina é pouco para o potencial brasileiro. Para competir verdadeiramente na elite global, o Brasil precisará investir em mão de obra, inovação e infraestrutura, entendendo que receber bem dá muito mais trabalho do que apenas abrir as portas.

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