Mercado financeiro reage às eleições com recorde histórico do Ibovespa e maior queda do dólar desde 2018

O mercado financeiro brasileiro registrou números históricos em resposta aos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais. O Ibovespa atingiu um novo recorde nominal ao avançar 7,7%, encerrando o pregão aos 206.912 pontos. Simultaneamente, o dólar comercial sofreu sua maior desvalorização diária desde 8 de junho de 2018, com queda de 4,12%, fechando cotado a R$ 5. O real consolidou-se como a moeda com maior valorização global frente ao dólar neste dia.

A forte queda nas projeções de juros futuros impulsionou fortemente o setor varejista, com ações de empresas como Magazine Luiza e C&A saltando 26% e 24%, respectivamente, e chegou a forçar uma interrupção temporária nas negociações de títulos públicos no Tesouro Direto. Segundo gestores financeiros e analistas, o movimento reflete a surpresa do mercado com a vantagem de Flávio Bolsonaro e o desempenho expressivo de candidatos de direita no Congresso e nos governos estaduais. O setor financeiro avalia que o cenário atual favorece a viabilidade de ajustes fiscais, contrastando com o ceticismo dos investidores em relação à disposição da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva para controlar a dívida pública, que atingiu 82,9% do PIB.

A reação otimista já havia sido antecipada no exterior, com fundos atrelados a ações brasileiras (ETFs) saltando até 14% no Japão e 12% nos Estados Unidos antes mesmo da abertura do mercado local. Instituições como BTG Pactual, UBS e JP Morgan projetam que, caso o país implemente um ajuste fiscal crível, a Bolsa brasileira ainda possui espaço para valorizar entre 25% e 50% nos próximos meses.

Opinião do site

A reação acentuada do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno evidencia a centralidade da pauta fiscal nas expectativas econômicas do país. A disparada do Ibovespa e a forte desvalorização do dólar demonstram que os investidores reagem de maneira imediata a qualquer configuração política que indique um compromisso mais rígido com o controle do endividamento público.

O recado transmitido pela movimentação dos ativos é estritamente econômico: a sustentabilidade financeira, o freio no crescimento da dívida pública e a redução dos juros são os pilares exigidos para a manutenção dos investimentos no Brasil. Independentemente de quem assumir o Executivo após o segundo turno, o verdadeiro teste não será a euforia do mercado nas urnas, mas a capacidade prática do novo governo de aprovar e executar reformas fiscais contínuas que assegurem um crescimento sustentável e a estabilidade da economia real a longo prazo.

Fonte De Pesquisa: https://atarde.com.br/eleicoes/presidente-do-pt-diz-que-campanha-de-lula-mudara-enfoque-em-2-turno-1404697

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