Caso Vorcaro: PF investiga suspeita de rede de prostituição ligada a festas com políticos

Investigação jornalística do UOL aponta investimentos milionários, recrutamento de mulheres estrangeiras e participação de autoridades em eventos privados; ex-banqueiro nega irregularidades.

Por Redação TudoCertoNaBahia

Brasília — 29 de outubro de 2026

A Polícia Federal investiga suspeitas de tráfico de pessoas e exploração sexual envolvendo eventos privados ligados ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O caso ganhou novos detalhes nesta quinta-feira (29), após reportagem do UOL revelar informações sobre mensagens que apontam a existência de uma estrutura de recrutamento de mulheres para festas realizadas no Brasil e no exterior.

Segundo a investigação jornalística, o ex-banqueiro teria destinado mais de R$ 4 milhões à operação, que envolvia intermediários, viagens, hospedagens e uma agência de modelos.

Vorcaro nega qualquer envolvimento com tráfico de pessoas ou prostituição. As suspeitas estão sob apuração e não representam condenação.

Mensagens revelam suspeita de estrutura milionária

Conversas analisadas pelo UOL apontam participação do empresário em decisões sobre o recrutamento.

De acordo com o UOL, mensagens obtidas durante a investigação mostram que Daniel Vorcaro teria participado da organização de eventos privados e da seleção de mulheres que compareciam às festas.

A estrutura envolveria intermediários responsáveis pelo recrutamento, transporte e hospedagem das participantes.

A apuração aponta investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões.

Parte dos valores estaria relacionada à aquisição de participação em uma agência de modelos, utilizada, segundo os relatos publicados, para organizar as contratações.

Agência de modelos aparece nas investigações

Mensagens indicam negociação para compra de metade de uma empresa por R$ 1,5 milhão.

Segundo o material analisado pela imprensa, o intermediário Diogo Batista teria apresentado a Vorcaro uma proposta para adquirir 50% de uma agência de modelos.

A negociação envolveria R$ 1,5 milhão, divididos em pagamentos realizados ao longo de 2024.

A reportagem afirma que a estrutura teria sido utilizada para organizar a participação de mulheres em encontros privados.

Os responsáveis pela agência negam participação no suposto esquema e afirmam que o nome da empresa foi utilizado indevidamente.

Refugiadas ucranianas aparecem nas conversas

Investigadores apuram a situação de mulheres estrangeiras que participaram dos eventos.

Entre os episódios descritos pela reportagem estão conversas sobre mulheres recrutadas na Rússia, Ucrânia e outros países.

Uma jovem ucraniana de 19 anos teria permanecido no Brasil após fugir da guerra e enfrentar dificuldades para retornar à sua cidade de origem.

Segundo as mensagens divulgadas, intermediários discutiram sua situação enquanto organizavam os eventos.

A Polícia Federal busca esclarecer se houve exploração de condições de vulnerabilidade, constrangimento ou outras práticas que possam configurar crimes.

A presença de mulheres estrangeiras ou o exercício voluntário da prostituição, isoladamente, não comprovam tráfico de pessoas.

Políticos são mencionados em relatos sobre as festas

Mensagens citam autoridades entre os participantes de eventos privados.

A investigação jornalística do UOL menciona a presença de políticos em festas organizadas no Brasil e no exterior.

Entre os nomes citados estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

As informações publicadas indicam referências aos parlamentares nos relatos e conversas sobre os encontros.

A menção aos nomes não comprova que eles tenham participado de crimes ou cometido irregularidades. A reportagem consultada não apresenta conclusão judicial de responsabilidade criminal desses políticos.

Polícia Federal apura possíveis crimes

Investigação busca esclarecer a atuação dos intermediários e a existência de exploração sexual.

A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a apuração de possíveis crimes relacionados ao recrutamento e ao deslocamento de mulheres para eventos privados.

As suspeitas incluem tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e favorecimento da prostituição.

No Brasil, o exercício voluntário da prostituição por adultos não é crime. Entretanto, a exploração sexual por terceiros e o tráfico de pessoas podem configurar infrações penais quando presentes os requisitos previstos em lei.

O procedimento deverá esclarecer a atuação dos envolvidos e as circunstâncias em que as mulheres participaram dos encontros.

O que diz a defesa de Daniel Vorcaro?

Empresário nega as acusações e contesta a interpretação das mensagens.

Em manifestação divulgada pela imprensa, Vorcaro negou envolvimento com tráfico de pessoas ou prostituição.

O ex-banqueiro também afirmou que as mensagens apresentadas foram retiradas de contexto.

Representantes da agência mencionada na investigação negaram participação nas atividades atribuídas à empresa.

As versões apresentadas pelas partes deverão ser consideradas durante a apuração.

Caso permanece sob investigação

A Polícia Federal ainda deverá esclarecer se houve prática de crimes, quais pessoas participaram de eventuais irregularidades e se mulheres em situação de vulnerabilidade foram submetidas a exploração.

As informações divulgadas até agora decorrem principalmente de mensagens obtidas pela imprensa e de procedimentos investigativos em andamento.

Não há, nas fontes consultadas para esta matéria, confirmação de condenação criminal definitiva dos citados em relação a essas suspeitas.


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