UTIs no Brasil precisam de melhorias além de novos leitos, aponta pesquisa com médicos
Levantamento com 2.338 profissionais identifica diferenças entre hospitais públicos e privados na oferta de medicamentos, estrutura e equipes especializadas.
Por Redação TudoCertoNaBahia
Uma pesquisa nacional com 2.338 médicos que atuam em unidades de terapia intensiva (UTIs) revelou diferenças importantes na avaliação dos serviços públicos e privados de saúde no Brasil.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (21 de outubro), foi realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Os resultados mostram que a melhoria das UTIs depende não apenas da abertura de novos leitos, mas também da disponibilidade de medicamentos, infraestrutura adequada e profissionais especializados.

Rede pública recebe avaliações mais baixas
Segundo a pesquisa, apenas 22,7% dos médicos entrevistados consideram totalmente adequada a disponibilidade de medicamentos essenciais nas UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS).
Na rede privada, esse percentual chega a 57,7%.
A diferença também aparece na avaliação da quantidade de leitos disponíveis: 24,1% dos profissionais deram nota máxima ao SUS, enquanto 51,4% atribuíram a mesma avaliação aos serviços particulares.
Equipes especializadas também preocupam
O levantamento analisou 13 aspectos do funcionamento das UTIs, incluindo estrutura, protocolos de atendimento e qualificação das equipes.
A presença de equipes multiprofissionais especializadas recebeu nota máxima de 23% dos médicos na rede pública, contra 39,2% na privada.
As diferenças foram observadas em 12 dos 13 aspectos avaliados.

Médicos defendem investimentos mais amplos
Para a Amib, os resultados reforçam a necessidade de investimentos que contemplem toda a estrutura de atendimento aos pacientes graves.
A entidade informou que pretende apresentar as conclusões a gestores públicos e privados e a órgãos de fiscalização.
Segundo a associação, as recomendações podem contribuir para melhorar a assistência em 43.901 leitos de UTI distribuídos pelo país.
Os números representam a percepção dos profissionais entrevistados, não uma avaliação direta dos resultados clínicos de cada hospital.
Opinião do site
A ampliação dos leitos de UTI é importante, mas precisa ser acompanhada de medicamentos, equipamentos adequados e equipes qualificadas. O levantamento reforça a necessidade de planejamento contínuo para melhorar a qualidade do atendimento e reduzir as desigualdades entre os serviços de saúde.
Fontes verificadas
- Agência Brasil: UTIs no Brasil: médicos pedem estruturação que vá além de mais leitos. Reportagem de 21/10/2026, com os resultados do levantamento.
- Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib): Amib apresenta resultados do inquérito nacional. Publicação institucional de 15/10/2026.
- Conselho Federal de Medicina: CFM informa sobre a pesquisa nacional das UTIs. Confirma a parceria na realização do estudo.
- Studio Notícias: Pesquisa aponta diferenças na estrutura das UTIs. Cobertura publicada em 21/10/2026.
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