Fim das bets gera rombo milionário no Vitória e clube planeja vender jogadores para quitar dívidas

O presidente do Vitória, Fábio Mota, revelou que a proibição das casas de apostas no Brasil deixará um rombo estimado em R$ 55 milhões nas contas do clube até o final de 2027. O prejuízo tem origem direta na rescisão do contrato com a 7K, que estampava o espaço de patrocinadora master da equipe e tinha vínculo garantido até o fim do próximo ano. Além do uniforme, Mota explicou que as placas de publicidade dos estádios, que têm 75% de sua receita oriunda das bets, também notificaram os clubes sobre a suspensão dos pagamentos. Na soma das duas fontes, o Leão deixará de arrecadar cerca de R$ 2,5 milhões mensalmente.

A ausência repentina desse capital ameaça diretamente o planejamento financeiro do clube para o pagamento de dívidas ativas. O contrato de patrocínio era a base para que o Vitória honrasse parcelamentos junto à Justiça do Trabalho, à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e ao Governo Federal por meio do programa Perse. O dirigente alertou que, sem o dinheiro, o clube pode sofrer punições severas, como o bloqueio de contas, a aplicação de transfer ban e o cancelamento do acordo do Perse, o que faria a dívida tributária do time voltar ao seu valor original e dobrar de tamanho.

Fábio Mota criticou a forma como a medida provisória foi conduzida pelo Governo Federal, apontando que o fim abrupto impediu o recebimento de multas rescisórias e não ofereceu um período de transição, citando o prazo de adaptação de um ano concedido na Premier League como um exemplo a ser seguido. Como medida emergencial de sobrevivência, o presidente confirmou que não restará outra alternativa além da venda de atletas. Segundo ele, o clube possui jogadores valorizados no mercado, como Renê, Lucas Arcanjo e Ramon, que já haviam recebido propostas anteriores recusadas pela diretoria. Mota informou ainda que existem conversas em andamento com o governo sobre a carga tributária excessiva (INSS e FGTS) em salários milionários do futebol, mas admitiu que o debate não resolve o buraco emergencial no orçamento.

Opinião do site

A crise financeira exposta pelo presidente do Vitória revela o alto grau de dependência e a vulnerabilidade estrutural dos clubes brasileiros em relação ao mercado de apostas. Ancorar todo o planejamento de sobrevivência institucional e renegociação de dívidas trabalhistas e fiscais — como a CNRD e o Perse — nas receitas de um único nicho demonstra o quão frágil era a gestão financeira do esporte frente a oscilações regulatórias.

Por outro lado, as críticas direcionadas à condução da medida pelo Governo Federal são plenamente justificadas. Promover uma quebra de contratos de forma abrupta, sem garantir o pagamento de multas rescisórias ou estipular um prazo razoável para a transição e a captação de novos patrocinadores, transformou a ação em uma punição direta aos clubes. O resultado dessa falta de planejamento estatal respinga diretamente no campo, forçando equipes como o Vitória a liquidar seus melhores jogadores às pressas e desmanchar o elenco apenas para evitar punições judiciais e a falência administrativa.

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