MP-BA denuncia presidente e diretores da Bamor por organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou, nesta segunda-feira (5), integrantes da presidência e da diretoria da Bamor, uma das principais torcidas organizadas do Bahia, pelos crimes de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco), como desdobramento da Operação Inquisição.
Dez integrantes da torcida foram denunciados
Ao todo, dez homens foram denunciados. Entre eles estão o presidente da Bamor, Matheus Pires Castro, o vice-presidente Luciano da Silva Venâncio, além de outros integrantes da diretoria e um policial militar apontado pelo Ministério Público como integrante da torcida organizada. Todos permanecem presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.
Segundo a denúncia, os crimes teriam ocorrido em julho deste ano. O MP-BA afirma que os denunciados fariam parte de uma estrutura organizada, com divisão de funções, e que teriam utilizado a própria estrutura da torcida para realizar uma espécie de “punição privada” contra duas pessoas suspeitas, segundo a diretoria, de envolvimento em supostas irregularidades relacionadas ao sistema de gestão de associados.
MP-BA aponta prática de violência e tortura
Ainda de acordo com o Ministério Público, as vítimas teriam sido submetidas a sessões de violência física e psicológica com o objetivo de obter confissões. A investigação aponta que as agressões teriam ocorrido durante horas e envolvido diferentes formas de violência.
A denúncia é resultado da Operação Inquisição, deflagrada em 28 de setembro, quando integrantes da cúpula da Bamor foram presos. Durante a operação, foram apreendidos dispositivos eletrônicos, documentos e outros materiais que passaram a fazer parte das investigações.
Além da condenação dos denunciados pelos crimes atribuídos individualmente a cada um, o MP-BA pediu a manutenção das prisões preventivas e o pagamento de indenizações às vítimas por danos materiais e morais. O órgão também solicitou uma reparação de R$ 2 milhões por danos morais coletivos.
A denúncia, no entanto, ainda será analisada pela Justiça. O oferecimento da acusação pelo Ministério Público não significa condenação. Os denunciados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência durante o processo.

