Pé na areia e vento no rosto: o guia da mãe de duas meninas para um Dia das Crianças inesquecível em Salvador (por Andréa Brito)
Quem é mãe de menina sabe que a vida é um turbilhão de laços, gargalhadas e perguntas que nos pegam de surpresa. Por aqui, a minha vida é multiplicada por duas: minhas filhas estão com 8 e 10 anos, bem naquele auge delicioso da fase das descobertas, onde o mundo se expande e tudo vira motivo para explorar. Com o Dia das Crianças batendo à porta, o impulso comercial nos bombardeia com anúncios de brinquedos de última geração. Mas, se tem algo que a maternidade na nossa Salvador me ensina todos os dias, é que o melhor presente não vem embrulhado em papel de presente. Ele vem com cheiro de maresia e gosto de sorvete derretendo nas mãos.
Este ano, meu convite para você é esquecer as prateleiras do shopping e investir no que realmente fica: as memórias em família. Minhas gurias não precisam de mais um objeto que vai parar no fundo do armário em duas semanas; elas querem — e precisam — de movimento, de escuta, de tempo junto. E vamos combinar? A nossa cidade é um verdadeiro parque de diversões a céu aberto para essa idade em que elas já têm autonomia para pedalar, correr e desbravar.
Nossa programação perfeita começa cedo, trocando as telas pelo movimento. Um dos nossos programas favoritos é pegar as bikes e aproveitar a orla. Ver as duas pedalando com o vento no rosto, apostando corrida e descobrindo a própria velocidade é de encher o coração. Depois, o destino certo é uma boa praça, como a do Campo Grande ou a Nossa Senhora da Luz, perfeitas para correr na grama, inventar brincadeiras mirabolantes e exercitar esse corpo que cresce num piscar de olhos.
Claro que o calor da Bahia pede uma pausa estratégica, e a regra de ouro por aqui é: dia especial merece sorveteria! Seja uma parada na tradicional Sorveteria da Ribeira ou para tomar um picolé artesanal olhando o movimento, sentar com elas para ouvir suas teorias sobre o mundo, sem pressa e sem celular na mão, é o verdadeiro luxo dos dias de hoje. É nessa escuta atenta que eu conheço quem minhas filhas estão se tornando.
Para fechar com chave de ouro, a gente corre para a praia. Seja para um banho de mar revigorante no Porto da Barra ou para caminhar na areia de Itapuã recolhendo conchinhas (que viram tesouros no quarto delas), o mar é o nosso quintal sagrado. E quando o céu começa a mudar de cor, a gente senta lado a lado para assistir ao espetáculo do pôr do sol, seja no Farol da Barra ou no MAM. Ver os olhinhos delas brilhando dourados com a luz do fim do dia me dá a certeza de que estou entregando a elas a infância que merecem.
Neste Dia das Crianças, mude o foco. Troque o plástico pela vivência. Dê menos coisas e seja mais presença. Afinal, as roupas vão encolher e os brinquedos vão quebrar, mas o dia em que vocês pedalaram juntos, tomaram sorvete e viram o sol se esconder no mar da Bahia vai ficar guardado para sempre no coração delas.
Fonte; Andréa Brito


Muito bom!
Que legal. Andréa Brito sabe das coisas. Apoiada em todos os termos.
Perfeito! Uma recomendação inspiradora! Por aqui vamos tentar fazer parecido. Obrigada, Déa!
meu Deus que linda mensagem parabéns pelo texto e pelo exemplo que nos mostra em coisas tão simples que se torna espetacular. perfeito.