PF prende deputado estadual eleito Márcio Canella em operação contra lavagem de dinheiro no Rio

Ex-prefeito de Belford Roxo está entre seis presos na Operação Unha e Carne, que investiga esquema suspeito de movimentar mais de R$ 7,6 bilhões por meio de postos de combustíveis.

Por Redação TudoCertoNaBahia

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (15 de outubro de 2026), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. A prisão ocorreu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar postos de combustíveis para lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.

Também foi preso Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do estado. A investigação apura a possível participação de agentes públicos em um esquema que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. A Justiça também determinou medidas contra empresas suspeitas de integrar a estrutura financeira investigada.

O que motivou a prisão de Márcio Canella?

A prisão faz parte de uma investigação sobre uma suposta organização criminosa que teria utilizado empresas do setor de combustíveis para ocultar e movimentar recursos de origem ilícita.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado teria contado com a participação de agentes públicos e articulações político-institucionais para manter suas atividades.

As suspeitas envolvem lavagem de dinheiro, corrupção e outras possíveis irregularidades. A responsabilidade individual dos investigados ainda deverá ser apurada pela Justiça.

Esquema investigado teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões

Um dos principais pontos da investigação é o volume financeiro atribuído ao grupo.

Segundo a Polícia Federal, um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.

A investigação aponta que postos de combustíveis teriam sido utilizados para dar aparência de legalidade a recursos de origem criminosa.

A Justiça determinou a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas relacionadas ao esquema investigado. Desse total, 96 são postos de combustíveis.

É importante destacar que o valor de R$ 7,6 bilhões corresponde às movimentações financeiras identificadas na investigação e não deve ser confundido automaticamente com o valor comprovadamente lavado ou desviado.

Operação cumpriu mandados em sete municípios do Rio

A oitava fase da Operação Unha e Carne alcançou diferentes cidades fluminenses.

As diligências ocorreram nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.

Além dos mandados de prisão e busca, foram determinadas medidas de sequestro de bens e valores.

A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento das ordens judiciais contra os policiais civis investigados.

A Polícia Federal informou que os seis alvos de mandados de prisão preventiva foram presos.

Quem é Márcio Canella?

Márcio Canella é ex-prefeito de Belford Roxo, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e presidente estadual do União Brasil.

Nas eleições de 2026, foi eleito deputado estadual com 197.178 votos, tornando-se o segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Ele já havia exercido mandato de deputado estadual antes de assumir a prefeitura de Belford Roxo.

Em julho de 2026, Canella também foi preso em flagrante durante uma fase anterior da mesma operação, após policiais federais encontrarem um fuzil no veículo em que estava.

Na ocasião, o político afirmou que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança.

Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sua soltura mediante medidas cautelares.

A prisão desta quinta-feira integra uma nova etapa da investigação e decorre de mandado preventivo.

Ex-chefe da Polícia Civil também foi preso

Outro nome de destaque entre os presos é Marcus Vinicius Amim Fernandes, que já ocupou o cargo de secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro.

A investigação apura a possível participação de servidores públicos na estrutura do grupo suspeito.

A Polícia Civil informou à imprensa que não compactua com desvios de conduta e que participa da operação por meio de sua Corregedoria.

A instituição também afirmou que as suspeitas envolvendo seus agentes estão sujeitas às medidas administrativas e disciplinares cabíveis.

Quais crimes estão sendo investigados?

Segundo a Polícia Federal, os envolvidos poderão responder, conforme a participação individual de cada um, por crimes como:

  • Organização criminosa armada;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Corrupção ativa e passiva;
  • Violação de sigilo funcional;
  • Venda ilegal de combustíveis;
  • Formação de cartel.

A apuração também poderá identificar outros delitos no decorrer das investigações.

A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa voltada ao enfrentamento de organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.

O que dizem os investigados?

Segundo reportagem do UOL publicada nesta quinta-feira, a assessoria de Márcio Canella informou que ainda não havia tido acesso aos autos do processo.

A CNN Brasil também informou que buscava manifestações da defesa dos envolvidos.

Até as atualizações consultadas nesta apuração, não havia sido localizada uma manifestação completa da defesa sobre as acusações específicas desta nova fase da operação.

O espaço permanece aberto para esclarecimentos dos investigados e de seus representantes legais.

O que acontece agora?

Com as prisões e as medidas patrimoniais determinadas pela Justiça, a Polícia Federal deverá prosseguir na análise de documentos, movimentações financeiras e demais elementos recolhidos durante as diligências.

Os resultados poderão subsidiar novas etapas da investigação e eventuais medidas do Ministério Público e do Poder Judiciário.

A prisão preventiva não representa condenação. Os investigados possuem direito à defesa e à presunção de inocência.

Opinião do site

A investigação reforça a importância de mecanismos de fiscalização capazes de identificar possíveis relações entre atividades econômicas, agentes públicos e organizações criminosas. O volume financeiro sob apuração demonstra a necessidade de transparência e controle sobre operações empresariais suspeitas. Ao mesmo tempo, a gravidade das acusações exige uma investigação rigorosa, com respeito ao devido processo legal e ao direito de defesa de todos os envolvidos.

Fontes consultadas:

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