Mercado eleva previsão da inflação para 5,22% e do dólar para R$ 5,34 em 2026, aponta Banco Central

Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (3) mostra aumento nas expectativas para inflação, juros e dólar. Projeção de crescimento da economia caiu pela terceira semana consecutiva.

Por Redação TudoCertoNaBahia

Brasília — 3 de novembro de 2026

O mercado financeiro aumentou suas estimativas para a inflação, os juros e o dólar em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (3) pelo Banco Central. Ao mesmo tempo, os analistas reduziram novamente a previsão de crescimento da economia brasileira.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado para medir a inflação oficial, passou de 5,19% para 5,22% neste ano.

O levantamento reúne expectativas de instituições do mercado financeiro e não representa uma previsão oficial do Banco Central nem um resultado já confirmado.

Confira as novas projeções para 2026

De acordo com o relatório divulgado nesta terça-feira, as expectativas apresentaram as seguintes alterações:

  • Inflação (IPCA): de 5,19% para 5,22%;
  • Taxa Selic no fim do ano: de 13,25% para 13,50% ao ano;
  • Dólar no fim do ano: de R$ 5,05 para R$ 5,34;
  • Crescimento do PIB: de 1,80% para 1,76%.

As mudanças foram registradas no primeiro Boletim Focus publicado após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Inflação projetada continua acima do teto da meta

A meta contínua de inflação adotada no Brasil é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o teto corresponde a 4,5%.

Com a nova estimativa de 5,22%, a projeção do mercado para 2026 permanece acima desse limite.

Para 2027, a expectativa de inflação subiu para 4,76%. Para 2028, a previsão ficou em 4%.

O resultado mais recente do IPCA-15, prévia da inflação oficial, mostrou alta de 0,32% em outubro. Entre os alimentos, o tomate registrou aumento de 24,54%, enquanto a cebola subiu 13,63%.

Mercado também prevê juros mais elevados

A previsão para a taxa Selic no encerramento de 2026 subiu de 13,25% para 13,50% ao ano.

Atualmente, a taxa básica está em 13,75% ao ano. Portanto, a nova estimativa indica que os analistas ainda esperam uma redução de 0,25 ponto percentual até dezembro.

Isso não significa que o Banco Central já tenha decidido reduzir os juros. A definição cabe ao Comitê de Política Monetária (Copom).

Juros elevados tendem a encarecer empréstimos e financiamentos, além de influenciar o consumo e os investimentos das empresas.

Para 2027, os analistas projetam Selic de 12,50% ao ano. Em 2028, a expectativa é de 11%.

Dólar poderá encerrar o ano em R$ 5,34

Outra mudança importante ocorreu na previsão para o câmbio. O mercado passou a estimar que o dólar terminará 2026 cotado a R$ 5,34, contra R$ 5,05 na pesquisa anterior.

Para 2027 e 2028, a expectativa é de dólar a R$ 5,40 no encerramento de cada ano.

É importante destacar que esses valores representam projeções para o fim dos respectivos períodos, e não a cotação efetiva da moeda nesta terça-feira.

Oscilações do dólar podem influenciar os custos de produtos importados, equipamentos, viagens internacionais e matérias-primas utilizadas pela indústria.

Previsão de crescimento do Brasil cai pela terceira semana

O Boletim Focus também mostrou revisão para baixo na expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede a produção de bens e serviços do país.

A projeção para 2026 caiu de 1,80% para 1,76%, na terceira redução semanal consecutiva.

Para 2027, a estimativa de crescimento está em 1,20%. Já para 2028, o mercado projeta expansão de 1,80%.

Uma expectativa menor de crescimento pode sinalizar cautela em relação à atividade econômica, mas não significa que o país já tenha apresentado queda efetiva do PIB.

O que muda para o consumidor brasileiro?

As novas expectativas não representam aumentos automáticos de preços ou juros cobrados dos consumidores, mas ajudam a indicar como os analistas avaliam o cenário econômico.

Inflação elevada pode reduzir o poder de compra das famílias. Juros altos podem dificultar financiamentos e compras parceladas. Já a valorização do dólar pode pressionar o custo de produtos e serviços ligados ao mercado internacional.

O impacto efetivo dependerá das decisões de política monetária, do comportamento dos preços e do desempenho da economia nos próximos meses.

Próximos indicadores serão decisivos

O mercado continuará acompanhando as decisões do Copom, a divulgação dos índices oficiais de inflação e os resultados da atividade econômica brasileira.

O Boletim Focus é atualizado periodicamente e pode apresentar novas alterações conforme os analistas revisem suas expectativas.

Os dados divulgados nesta terça-feira indicam um cenário de maior preocupação com a inflação e os juros, combinado com expectativas mais moderadas para o crescimento econômico em 2026.

Fontes verificadas


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