Presidente do Paraguai é destituído e colocado em prisão domiciliar após crise bancária que atingiu milhões
Santiago Peña perdeu o cargo após votação no Senado e foi colocado em prisão domiciliar. O ex-presidente compareceu ao Ministério Público neste sábado (7), enquanto o governo tenta conter uma crise bancária que atingiu milhões de paraguaios.
Por Redação TudoCertoNaBahia
Salvador (BA) — 7 de novembro de 2026
O Paraguai enfrenta uma das maiores crises políticas e financeiras de sua história recente após a destituição do presidente Santiago Peña, aprovada pelo Senado na sexta-feira (6). O ex-chefe de Estado foi colocado em prisão domiciliar e compareceu ao Ministério Público neste sábado (7), em meio às investigações relacionadas ao colapso do banco digital Ueno.
A crise começou depois que o Banco Central do Paraguai interveio na instituição financeira por problemas de solvência. O episódio comprometeu o acesso de milhões de clientes aos próprios recursos e provocou manifestações nas ruas de Assunção, capital do país.
Peña, que havia apresentado sua renúncia na quinta-feira (5), acabou afastado por meio de um julgamento político conduzido pelo Senado.
O então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai e deverá concluir o mandato previsto até 15 de agosto de 2028.
Os parlamentares que defenderam a destituição acusaram Peña de possíveis conflitos de interesse e interferência na fiscalização de atividades relacionadas ao Ueno Bank. O ex-presidente nega irregularidades.
Além da crise política, as autoridades enfrentam o desafio de restabelecer o acesso dos clientes ao dinheiro depositado na instituição financeira.

Por que o presidente do Paraguai foi destituído?
A destituição de Santiago Peña está relacionada à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma instituição financeira digital que havia ampliado rapidamente sua presença no mercado paraguaio.
O banco chegou a reunir aproximadamente três milhões de clientes, em um país com cerca de 6,5 milhões de habitantes.
A intervenção do Banco Central ocorreu após a identificação de problemas relacionados à capacidade da instituição de manter os níveis mínimos de solvência exigidos.
O episódio levantou questionamentos sobre a fiscalização bancária e sobre os vínculos entre a instituição e integrantes do governo.
Peña foi acionista da empresa controladora do Ueno até março de 2025, conforme informações divulgadas pela Reuters.
Parlamentares favoráveis ao impeachment argumentaram que essa relação empresarial deveria ser investigada diante das suspeitas de favorecimento e falhas regulatórias.
O ex-presidente, entretanto, afirma não ter cometido irregularidades e sustenta que os problemas da instituição deveriam ser tratados no âmbito dos órgãos responsáveis pela regulação financeira.
Senado aprova impeachment de Santiago Peña
O processo político avançou rapidamente após o agravamento da crise bancária.
Na quinta-feira (5), Peña anunciou sua intenção de deixar a Presidência. Mesmo assim, o Congresso deu continuidade aos procedimentos relacionados à sua destituição.
O Senado retomou as discussões na sexta-feira (6), depois que os parlamentares rejeitaram um pedido do então presidente para obter mais 72 horas de preparação de sua defesa.
Ao final do julgamento, 44 senadores votaram pela destituição, em uma decisão unânime entre os participantes da votação, segundo a Associated Press.
A decisão encerrou antecipadamente o mandato de Peña e abriu caminho para a posse de Pedro Alliana.
O julgamento político e a investigação criminal são procedimentos diferentes. A retirada do cargo não equivale a uma condenação penal definitiva.
Santiago Peña é colocado em prisão domiciliar
Após a destituição, as autoridades paraguaias determinaram a prisão domiciliar do ex-presidente enquanto avançam as apurações.
Neste sábado (7), Peña compareceu à sede do Ministério Público para prestar esclarecimentos.
De acordo com a Reuters, os investigadores analisam possíveis infrações relacionadas à influência sobre decisões institucionais e à relação entre integrantes do governo e a instituição financeira.
Entre as suspeitas mencionadas na investigação estão conflitos de interesse e possíveis interferências em procedimentos de supervisão.
Os procuradores ainda trabalham para definir formalmente o enquadramento das acusações.
Peña nega ter praticado irregularidades. A investigação deverá examinar documentos, decisões administrativas e eventuais vínculos entre autoridades públicas e dirigentes do banco.
A prisão domiciliar é uma medida cautelar e não deve ser interpretada como prova de culpa.
Quem é Pedro Alliana, o novo presidente do Paraguai?
Pedro Alliana assumiu a Presidência após a destituição de Santiago Peña.
Integrante do Partido Colorado, Alliana ocupava a Vice-Presidência desde agosto de 2023 e possui trajetória política ligada à legenda que governa o Paraguai.
A sucessão segue as disposições constitucionais para a substituição do presidente em caso de vacância do cargo.
O novo chefe de Estado deverá concluir o período presidencial iniciado em 2023, com término previsto para 15 de agosto de 2028.
Isso significa que a destituição de Peña não provoca automaticamente uma eleição presidencial imediata.
Alliana também assume em um ambiente de forte pressão para que o governo esclareça a crise bancária, proteja os depositantes e restabeleça a confiança no sistema financeiro.
A Reuters e a Associated Press informaram que as investigações também alcançam outras autoridades e ex-dirigentes ligados ao setor financeiro paraguaio.
O que aconteceu com o Ueno Bank?
O Ueno Bank era uma instituição financeira digital que ganhou relevância no Paraguai ao ampliar rapidamente sua base de clientes.
Seu crescimento permitiu que milhões de pessoas acessassem serviços bancários, incluindo clientes que anteriormente não possuíam conta em instituições financeiras.
Entretanto, o Banco Central identificou problemas nos indicadores de solvência e determinou uma intervenção.
Conforme a Associated Press, os indicadores de solvência do banco haviam caído para menos da metade do mínimo legal exigido.
A medida interrompeu o acesso regular de muitos clientes aos recursos e provocou dificuldades em operações financeiras cotidianas.
O banco também administrava valores relacionados a entidades públicas, incluindo recursos associados à Previdência Social e à assistência à saúde.
Esses vínculos ampliaram a preocupação das autoridades com o impacto econômico e institucional do colapso.
A investigação busca esclarecer as práticas de gestão, os empréstimos realizados e as responsabilidades pela deterioração financeira da instituição.
Milhões de clientes tiveram dificuldades para acessar o próprio dinheiro
Um dos efeitos mais imediatos da crise foi a dificuldade de acesso aos depósitos mantidos no Ueno Bank.
A instituição informava possuir cerca de três milhões de clientes, número equivalente a uma parcela significativa da população paraguaia.
Com a intervenção, famílias e empresas enfrentaram restrições para movimentar recursos.
O impacto também chegou a trabalhadores, aposentados e pequenos comerciantes que dependiam dos serviços da instituição.
Manifestações foram registradas em Assunção, com clientes cobrando respostas sobre a recuperação dos valores depositados.
A situação intensificou a pressão sobre autoridades reguladoras, dirigentes do banco e integrantes do governo.
É importante distinguir o número total de clientes da instituição da quantidade de pessoas que ainda aguardam restituição. Os balanços são atualizados conforme os pagamentos avançam.

Banco Central anuncia devolução de dinheiro a mais de 1,1 milhão de clientes
Enquanto o governo enfrenta a crise política, o Banco Central do Paraguai busca acelerar a restituição dos depósitos.
Neste sábado (7), a autoridade monetária informou ter devolvido aproximadamente 996 bilhões de guaranis a 1,196 milhão de clientes do Ueno Bank.
O montante corresponde a cerca de R$ 885,8 milhões, conforme conversão apresentada pela imprensa brasileira na data do anúncio.
Os recursos estão sendo utilizados para atender correntistas que se enquadram nas condições estabelecidas pelo sistema de garantia de depósitos.
Segundo a divulgação, uma etapa inicial contemplou clientes com saldos de até dez milhões de guaranis.
As autoridades também trabalham na antecipação de pagamentos para outros depositantes elegíveis, observando limites e condições específicas.
O Banco Central informou que os repasses continuariam durante o fim de semana.
Esses pagamentos representam uma medida de proteção aos clientes, mas não significam que todas as pessoas afetadas já tenham recuperado integralmente seus recursos.
Existe garantia para o dinheiro depositado?
O Paraguai possui mecanismos de garantia destinados a proteger depositantes de instituições financeiras em situações previstas na regulamentação.
No caso do Ueno Bank, o sistema de proteção cobre depósitos até determinados limites legais.
Segundo a Associated Press, as autoridades estimam que aproximadamente 97% dos depositantes estejam abrangidos pelas regras de cobertura.
Isso não significa que 97% de todo o valor financeiro mantido na instituição esteja necessariamente protegido.
O percentual se refere à parcela de clientes estimada como coberta pelos limites do mecanismo de garantia.
Os procedimentos de pagamento dependem da elegibilidade de cada depositante, dos valores existentes em conta e das exigências definidas pelas autoridades paraguaias.
Clientes afetados devem buscar informações exclusivamente nos canais oficiais para evitar golpes envolvendo falsas promessas de liberação de dinheiro.
Qual é a relação de Santiago Peña com o banco?
Um dos pontos examinados pelos investigadores é a relação empresarial anterior entre Santiago Peña e o grupo ligado ao Ueno Bank.
Segundo a Reuters, o ex-presidente manteve participação societária na empresa controladora do banco até março de 2025.
Parlamentares que apoiaram o impeachment levantaram suspeitas de conflito de interesse e de possível favorecimento institucional.
A discussão também envolve decisões de órgãos reguladores e a utilização de recursos de entidades públicas.
Peña rejeita as acusações e afirma que não interferiu irregularmente na administração ou na fiscalização da instituição financeira.
A existência de uma relação societária anterior, isoladamente, não comprova participação em irregularidades.
A apuração deverá estabelecer se houve condutas que possam configurar infrações administrativas ou crimes, respeitando os direitos de defesa dos investigados.
Crise provoca protestos e pressiona instituições paraguaias
A impossibilidade de movimentar recursos gerou insatisfação entre clientes do Ueno Bank e contribuiu para a realização de protestos.
Manifestantes foram às ruas da capital para exigir explicações e medidas concretas de recuperação dos depósitos.
As mobilizações também ampliaram a pressão política sobre o então presidente Santiago Peña.
O caso afetou a confiança no sistema financeiro e levantou questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização bancária.
Com a mudança de governo, as autoridades terão de buscar estabilidade institucional e apresentar resultados sobre a restituição dos recursos.
Também será necessário esclarecer a situação das entidades públicas que mantinham depósitos ou operações relacionadas ao banco.
O impeachment significa que Peña foi condenado por corrupção?
Não.
A destituição presidencial foi resultado de um julgamento político conduzido pelo Senado do Paraguai.
Já as eventuais responsabilidades criminais são examinadas pelas autoridades competentes, em procedimentos próprios.
O comparecimento de Peña ao Ministério Público e sua prisão domiciliar integram a investigação em andamento.
Essas medidas não equivalem à condenação definitiva por qualquer crime.
As suspeitas precisam ser comprovadas de acordo com os procedimentos legais, e o ex-presidente possui direito à defesa.
As investigações poderão resultar em novas decisões, dependendo das provas reunidas e das medidas adotadas pelas autoridades paraguaias.
Como a crise do Paraguai pode interessar ao Brasil?
O Paraguai é um dos principais parceiros regionais do Brasil e integra o Mercosul.
Os países mantêm relações comerciais, diplomáticas e energéticas relevantes, incluindo a administração compartilhada da usina de Itaipu.
Por isso, uma crise política de grandes proporções no Paraguai pode gerar atenção de empresas, investidores e autoridades brasileiras.
Entretanto, as informações consultadas para esta reportagem não indicam uma interrupção generalizada do comércio bilateral nem mudanças imediatas nos acordos entre Brasil e Paraguai.
Eventuais impactos dependerão da duração da instabilidade, das decisões do novo governo e da recuperação da confiança no sistema financeiro.
O que acontece agora no Paraguai?
O país enfrenta três desafios simultâneos: a transição presidencial, a investigação das suspeitas relacionadas ao banco e a recuperação dos valores devidos aos depositantes.
Pedro Alliana assumiu o comando do governo e deverá administrar a crise até o término do mandato presidencial, previsto para agosto de 2028.
No campo financeiro, o Banco Central prossegue com os procedimentos para restituição dos clientes e contenção dos riscos ao sistema bancário.
Na esfera judicial, o Ministério Público continua analisando a possível participação de ex-autoridades e dirigentes em irregularidades.
A situação segue em desenvolvimento e poderá receber novas atualizações sobre medidas cautelares, acusações formais e pagamentos aos clientes.
O TudoCertoNaBahia acompanhará os desdobramentos da crise política e financeira no país vizinho.
Fontes verificadas
- Reuters — 07/11/2026: comparecimento de Santiago Peña ao Ministério Público, prisão domiciliar, investigação e sucessão presidencial.
- Associated Press — 06/11/2026: votação do impeachment, medidas contra o ex-presidente, crise do Ueno Bank e posse de Pedro Alliana.
- Reuters — 06/11/2026: confirmação da destituição pelo Senado e contexto político.
- UOL — 07/11/2026: balanço do Banco Central do Paraguai sobre a restituição de depósitos a 1,196 milhão de clientes.
- Associated Press — novembro de 2026: intervenção no Ueno Bank, problemas de solvência, recursos públicos e proteção dos depositantes.
- Deutsche Welle — 07/11/2026: repercussões políticas da destituição, prisão domiciliar e situação dos clientes do banco.

