Mulheres foram proibidas de jogar futebol no Brasil por quase 40 anos; nova HQ resgata essa história
História em quadrinhos criada por Angélica Kalil e PriWi apresenta a trajetória das pioneiras do futebol feminino brasileiro. Obra ganhou destaque nacional neste domingo (8), em meio à preparação do país para receber a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Por Redação TudoCertoNaBahia
Salvador (BA) — 8 de novembro de 2026
Hoje, meninas brasileiras podem sonhar em representar a seleção nacional, disputar campeonatos e seguir carreira no futebol. Mas, durante quase quatro décadas, o país manteve restrições legais que impediram mulheres de praticar oficialmente a modalidade.
Essa história, ainda pouco conhecida por parte do público, é recuperada pela história em quadrinhos Time dos Sonhos, criada pela jornalista e pesquisadora Angélica Kalil e pela ilustradora Priscila de Paula, conhecida como PriWi.
A obra ganhou destaque nacional neste domingo (8), em reportagem publicada pela Agência Brasil. O livro havia sido lançado em setembro de 2026 e agora amplia a discussão sobre memória, educação e a participação feminina no esporte.
Publicada pela editora Bebel Books, a HQ acompanha sete adolescentes que desejam montar um time de futebol de bairro. Durante a jornada, elas conhecem a história de jogadoras pioneiras e descobrem os obstáculos enfrentados pelas mulheres para conquistar espaço nos gramados.
O lançamento ocorre em um momento importante para o futebol feminino: o Brasil será sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, torneio que deverá ampliar a visibilidade da modalidade no país.
Mais do que narrar partidas e competições, a publicação apresenta uma reflexão sobre direitos, preconceitos, amizade e o papel das atletas na transformação da sociedade brasileira.

O que conta a história em quadrinhos Time dos Sonhos?
A narrativa acompanha sete meninas com idades entre 12 e 15 anos que compartilham o desejo de formar uma equipe de futebol.
As personagens se chamam Ada, Bartolina, Dandara, Olympe, Tarsila, Bell e Qiu.
Elas precisam organizar o time, desenvolver uma identidade própria e encontrar maneiras de participar dos campeonatos da vizinhança.
Durante esse processo, decidem pesquisar a história do futebol praticado por mulheres no Brasil.
Assim, a narrativa ficcional se conecta com episódios reais, apresentando atletas que enfrentaram restrições sociais e institucionais para continuar jogando.
Segundo a editora, a obra utiliza humor, referências contemporâneas e elementos gráficos inspirados em cadernos de colagem.
O formato procura aproximar a pesquisa histórica do cotidiano de adolescentes, sem limitar a leitura exclusivamente ao público jovem.
Por que mulheres foram proibidas de jogar futebol no Brasil?
A história da proibição do futebol feminino brasileiro remonta a 1941, durante o governo de Getúlio Vargas.
Naquele ano, foi publicado o Decreto-Lei nº 3.199, de 14 de abril de 1941, que estabeleceu regras para a organização dos esportes nacionais.
O artigo 54 determinava restrições à prática, por mulheres, de modalidades consideradas incompatíveis com as condições de sua natureza.
O texto original não citava expressamente o futebol, mas criou uma base legal para o impedimento da participação feminina em determinadas práticas esportivas.
Em 1965, durante a ditadura militar, o Conselho Nacional de Desportos detalhou as modalidades abrangidas pela restrição, incluindo expressamente o futebol e o futebol de salão.
A justificativa era baseada em concepções discriminatórias sobre o corpo feminino, a maternidade e os papéis sociais atribuídos às mulheres.
Atualmente, esses argumentos são reconhecidos como parte de um contexto histórico de exclusão e desigualdade de gênero.
Documentos e pesquisas históricas mostram que a proibição dificultou a organização de competições, o reconhecimento de equipes e a formação de atletas.
Mesmo assim, mulheres continuaram buscando maneiras de praticar o esporte, enfrentando obstáculos institucionais e sociais.
O futebol feminino ficou proibido por quase 40 anos
O período iniciado em 1941 se estendeu até 1979, quando a proibição foi revogada.
Entretanto, o fim da restrição não significou reconhecimento imediato da modalidade.
O futebol feminino brasileiro só recebeu regulamentação oficial em 1983, depois de décadas de limitações.
Essa diferença é importante para compreender a cronologia:
- 1941: Decreto-Lei nº 3.199 cria restrições à participação feminina em determinadas modalidades esportivas;
- 1965: normas do Conselho Nacional de Desportos passam a mencionar expressamente o futebol entre os esportes proibidos às mulheres;
- 1979: ocorre a revogação da proibição;
- 1983: o futebol feminino é regulamentado oficialmente no Brasil;
- 1991: a seleção brasileira participa da primeira Copa do Mundo Feminina organizada pela FIFA;
- 2027: o Brasil receberá a Copa do Mundo Feminina.
As informações são documentadas em levantamentos históricos publicados pelo Senado Federal e por órgãos públicos brasileiros.
O intervalo entre a retirada da proibição e a regulamentação mostra que uma mudança legal nem sempre elimina imediatamente as barreiras enfrentadas por um grupo.
Como a imprensa participou da exclusão das mulheres do futebol?
A pesquisa conduzida por Angélica Kalil também examina a participação dos meios de comunicação na construção de preconceitos contra o futebol feminino.
Segundo a autora, registros de jornais da década de 1930 mostram que parte da imprensa defendia a ideia de que mulheres não deveriam praticar futebol.
Essas publicações associavam a presença feminina nos gramados a argumentos sobre aparência, comportamento e supostos riscos à maternidade.
O conteúdo ajudava a reproduzir uma visão de sociedade na qual determinadas atividades eram consideradas inadequadas para mulheres.
O levantamento histórico mostra que o preconceito não se limitava aos regulamentos oficiais: também aparecia em discursos culturais e na cobertura jornalística.
A recuperação desses materiais permite compreender o papel que a comunicação pode desempenhar tanto na manutenção quanto no questionamento de desigualdades.
É nesse contexto que a HQ procura apresentar outra narrativa, destacando as experiências e as conquistas das jogadoras.
Sissi, Formiga e Marta estão entre as atletas homenageadas
Para construir a história, as protagonistas da HQ pesquisam referências importantes do futebol feminino brasileiro.
A editora informa que a obra apresenta um time simbólico formado por onze atletas de diferentes gerações.
- Fanta;
- Cebola;
- Soró;
- Sissi;
- Tafa;
- Kátia Cilene;
- Grazi;
- Lorena;
- Formiga;
- Cris;
- Marta.
As referências reúnem mulheres que marcaram momentos distintos da trajetória da modalidade.
Algumas são amplamente conhecidas pelo público, enquanto outras representam gerações cujas histórias tiveram menor espaço na divulgação esportiva.
Ao apresentar esses nomes, a publicação procura mostrar que a trajetória do futebol feminino brasileiro não começou com suas conquistas mais recentes.
O desenvolvimento da modalidade dependeu também de mulheres que atuaram em períodos marcados por escassez de oportunidades e reconhecimento.
Quem são Angélica Kalil e PriWi?
Angélica Kalil é jornalista e pesquisadora, responsável por parte do roteiro e pelo levantamento histórico que fundamenta a obra.
Priscila de Paula, conhecida artisticamente como PriWi, é ilustradora e participa do roteiro e da criação visual da história em quadrinhos.
Segundo a Agência Brasil, a iniciativa surgiu do interesse das duas autoras pelo futebol feminino.
PriWi jogou como goleira quando mais jovem e voltou a participar do futebol amador na vida adulta.
Angélica, por sua vez, desejava desenvolver um projeto que tornasse mais acessível a história das mulheres no esporte.
A colaboração reuniu pesquisa, narrativa e ilustração para criar um livro que pudesse circular entre leitores de diferentes gerações.
A editora identifica PriWi como responsável por roteiro e arte, enquanto Angélica Kalil assina roteiro e pesquisa.

HQ foi lançada em setembro e ganhou destaque nacional em novembro
Embora a obra tenha sido destaque na imprensa nacional neste domingo (8), seu lançamento não ocorreu nesta data.
Segundo a editora Bebel Books, Time dos Sonhos foi lançado em 10 de setembro de 2026, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
O livro também teve lançamento no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, na capital paulista, em setembro.
Posteriormente, as autoras participaram de atividades em livrarias, escolas e projetos sociais.
A reportagem da Agência Brasil publicada em 8 de novembro ampliou a divulgação da obra e recuperou o contexto histórico apresentado pela pesquisa.
Essa distinção é importante: a notícia atual trata da repercussão e da abordagem histórica do livro, e não de um lançamento realizado neste domingo.
Mais de cem meninas participaram de atividade de lançamento
Uma das atividades de apresentação do livro aconteceu no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, em São Paulo.
Segundo a Agência Brasil, o evento reuniu mais de cem meninas interessadas em futebol.
As autoras também têm realizado encontros em escolas e projetos sociais para conversar sobre a história da modalidade.
Entre as atividades propostas estão oficinas de criação de brasões para equipes de futebol.
A dinâmica se relaciona com a própria narrativa da HQ, na qual as protagonistas precisam construir uma identidade para o time.
A proposta aproxima o conteúdo histórico das experiências de crianças e adolescentes que desejam participar do esporte.
Os encontros também permitem apresentar referências de atletas e estimular conversas sobre oportunidades de participação feminina.
Livro é voltado aos jovens, mas também busca leitores adultos
Time dos Sonhos foi concebido como uma história em quadrinhos destinada principalmente ao público infantojuvenil.
Entretanto, as autoras e a editora destacam que a obra também pode ser lida por adultos interessados em futebol, história e direitos das mulheres.
A narrativa combina personagens fictícias, humor, referências atuais e informações históricas.
A fundadora da editora, Bebel Abreu, descreveu à Agência Brasil a publicação como uma história capaz de alcançar diferentes gerações.
O formato de quadrinhos também oferece uma alternativa de leitura para estudantes que estão começando a conhecer a trajetória do futebol feminino.
Sem substituir livros didáticos ou pesquisas especializadas, a HQ pode funcionar como ponto de partida para conversas sobre a história do esporte.
Quais são as características do livro Time dos Sonhos?
A editora Bebel Books disponibiliza informações detalhadas sobre a publicação.
- Título: Time dos Sonhos;
- Autoras: Angélica Kalil e PriWi;
- Roteiro: Angélica Kalil e PriWi;
- Pesquisa: Angélica Kalil;
- Arte: PriWi;
- Editora: Bebel Books;
- Ano: 2026;
- Formato: história em quadrinhos;
- Páginas: 72;
- Dimensões: 17 x 23,5 centímetros;
- ISBN: 9786502253748;
- Público: infantojuvenil e leitores de outras faixas etárias.
O projeto foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) do Estado de São Paulo.
Segundo a editora, a publicação foi desenvolvida para combinar entretenimento e pesquisa histórica, apresentando informações sobre o futebol feminino por meio das experiências das personagens.
Onde encontrar a história em quadrinhos?
A HQ está disponível no site da Bebel Books e é distribuída também em livrarias físicas e plataformas virtuais.
A Agência Brasil informa que a obra chegou a aproximadamente 150 livrarias físicas no país, além de estabelecimentos on-line.
Na consulta realizada em 8 de novembro, a editora anunciava o livro por R$ 65.
O preço pode mudar conforme promoções, disponibilidade e condições comerciais. O valor informado não inclui necessariamente despesas de entrega.
Os interessados podem consultar a página oficial da obra:
Time dos Sonhos — Editora Bebel Books
A disponibilidade em lojas físicas depende do estoque de cada estabelecimento.
Copa do Mundo Feminina de 2027 será realizada no Brasil
O lançamento da história em quadrinhos também acompanha um momento de maior atenção ao futebol praticado por mulheres.
O Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027, organizada pela FIFA.
A competição deverá reunir seleções internacionais e atrair atenção para a estrutura, a história e o desenvolvimento do futebol feminino brasileiro.
Ao contrário de uma cobertura concentrada apenas em resultados e atletas atuais, a HQ apresenta uma perspectiva histórica.
A publicação busca mostrar que as conquistas recentes resultam de décadas de mobilização, resistência e participação de diferentes gerações de jogadoras.
A proximidade do torneio também cria oportunidades para ampliar discussões sobre formação de atletas, acesso a espaços esportivos e valorização das mulheres no futebol.
Por que recuperar a história das pioneiras é importante?
O reconhecimento de atletas que enfrentaram períodos de restrição ajuda a explicar como o futebol feminino brasileiro chegou ao estágio atual.
Durante décadas, muitas jogadoras tiveram dificuldades para encontrar equipes, competições organizadas e condições adequadas de treinamento.
A ausência de reconhecimento institucional também afetou a preservação de registros sobre partidas, clubes e trajetórias individuais.
Por isso, trabalhos de pesquisa, livros e projetos de memória contribuem para reunir histórias que poderiam permanecer pouco conhecidas.
O Senado Federal publicou, em 2023, um levantamento histórico sobre a proibição do futebol feminino, utilizando documentos oficiais e registros da época.
A HQ Time dos Sonhos utiliza uma abordagem distinta, aproximando esse conteúdo de leitores mais jovens por meio de uma narrativa ilustrada.
As duas iniciativas mostram diferentes maneiras de preservar a memória do esporte e tornar seus episódios históricos acessíveis ao público.
A história do futebol feminino também pode ser trabalhada nas escolas
A trajetória das mulheres no futebol oferece possibilidades de discussão em disciplinas como história, educação física, sociologia e língua portuguesa.
O tema permite abordar mudanças na legislação, preconceitos sociais, participação das mulheres no esporte e transformações culturais.
Histórias em quadrinhos podem funcionar como materiais complementares para estimular a leitura e a interpretação de diferentes linguagens.
No caso de Time dos Sonhos, a combinação de ficção e referências históricas também permite apresentar personagens femininas que encontram exemplos em atletas de gerações anteriores.
O uso educacional da obra deve respeitar sua finalidade, sua classificação editorial e os direitos autorais.
As autoras já participaram de atividades relacionadas ao livro em escolas e projetos sociais, segundo informações divulgadas à Agência Brasil.
Resumo: o que saber sobre Time dos Sonhos
- Obra: Time dos Sonhos;
- Formato: história em quadrinhos;
- Autoras: Angélica Kalil e PriWi;
- Editora: Bebel Books;
- Lançamento original: setembro de 2026;
- Repercussão nacional: reportagem publicada pela Agência Brasil em 8 de novembro de 2026;
- Enredo: sete adolescentes desejam formar uma equipe de futebol e pesquisam a trajetória de jogadoras pioneiras;
- Referências: Sissi, Formiga, Marta e outras atletas brasileiras;
- Contexto histórico: restrição iniciada em 1941, revogada em 1979 e regulamentação da modalidade em 1983;
- Páginas: 72;
- Incentivo cultural: ProAC do Estado de São Paulo;
- Distribuição: site da editora e livrarias físicas e virtuais;
- Contexto esportivo atual: Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil.
A publicação recupera um capítulo importante da história nacional ao apresentar, para diferentes gerações, as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para conquistar o direito de jogar futebol.
Ao combinar pesquisa histórica, literatura e experiências de adolescentes, Time dos Sonhos procura aproximar o público das atletas que contribuíram para transformar a modalidade.
A obra também integra um momento de maior atenção ao futebol feminino brasileiro, que receberá a Copa do Mundo em 2027.
Fontes verificadas
- Agência Brasil — 08/11/2026: reportagem sobre a HQ, entrevistas com as autoras e a editora, circulação e atividades de lançamento.
- Bebel Books — página oficial: dados da publicação, personagens, ficha técnica e datas de lançamento.
- Senado Federal — 04/08/2023: investigação histórica sobre a proibição do futebol feminino e os esforços para sua regulamentação.
- Câmara dos Deputados — Decreto-Lei nº 3.199/1941: texto original da legislação, incluindo o artigo 54.
- Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil: contexto histórico das restrições de 1941 e 1965, revogação em 1979 e regulamentação em 1983.
- Revista O Grito! — 08/09/2026: cobertura do lançamento original da obra e informações sobre o projeto cultural.

