El Niño pode atingir intensidade muito forte em novembro; veja previsão de chuvas e calor para o Brasil
Boletim elaborado por sete instituições federais aponta possibilidade de intensificação do fenômeno climático a partir de novembro e prevê diferenças nas chuvas entre as regiões brasileiras até janeiro de 2027.
Por Redação TudoCertoNaBahia
Salvador (BA) — 5 de novembro de 2026
O El Niño poderá atingir intensidade muito forte a partir de novembro de 2026, aumentando a atenção sobre as condições climáticas previstas para diferentes regiões brasileiras. A informação consta no quinto boletim do Painel El Niño 2026–2027, elaborado por instituições federais de monitoramento meteorológico, hidrológico e de prevenção de desastres.
O documento, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em 29 de outubro e atualizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em 4 de novembro, apresenta projeções para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027.
Segundo os órgãos, há maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e Centro-Oeste, a tendência é de precipitações abaixo da normalidade.
As temperaturas também deverão permanecer acima da média histórica em grande parte do território nacional, especialmente na Região Norte.
As projeções representam tendências climáticas e não significam que todas as cidades apresentarão obrigatoriamente o mesmo comportamento do tempo.

O que é o El Niño e por que ele influencia o clima brasileiro?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais de determinadas áreas do Oceano Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento modifica padrões de circulação atmosférica e pode influenciar a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, seus efeitos variam conforme a estação do ano, a intensidade do fenômeno e a interação com outros sistemas meteorológicos.
Por isso, o El Niño não provoca necessariamente seca em todo o país nem chuvas intensas em todas as regiões.
O acompanhamento realizado por instituições científicas permite identificar tendências e orientar ações preventivas antes da ocorrência de situações potencialmente perigosas.
Região Sul pode registrar chuvas acima da média
Para o período de novembro de 2026 a janeiro de 2027, os modelos climáticos indicam maior probabilidade de volumes de chuva superiores à média em áreas da Região Sul.
Esse cenário exige acompanhamento especial das condições dos rios, dos reservatórios e das localidades que apresentam histórico de alagamentos e inundações.
O INPE destaca que a tendência de precipitações acima da média poderá aumentar a necessidade de atenção para possíveis cheias.
Entretanto, uma previsão de chuvas acima da normal climatológica não representa, isoladamente, a confirmação de enchentes em determinado município.
A ocorrência de eventos extremos depende de fatores como intensidade das precipitações, condições do solo, níveis dos rios e características da infraestrutura local.
Norte e Nordeste podem enfrentar chuvas abaixo da normalidade
O boletim também identifica maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte da Região Norte e em áreas do Nordeste.
Essa situação pode contribuir para a manutenção ou o agravamento de condições de seca em localidades que já enfrentam dificuldades relacionadas à disponibilidade de água.
Os efeitos podem variar entre municípios, especialmente em regiões com diferenças importantes de relevo, vegetação e padrões de precipitação.
Para o Nordeste, a previsão merece atenção em razão da importância das chuvas para o abastecimento, a agricultura e outras atividades econômicas.
No entanto, não é correto interpretar a projeção como ausência completa de chuva em todos os estados nordestinos durante o trimestre.
O acompanhamento dos boletins regionais continua necessário para identificar mudanças nas condições meteorológicas.
Sudeste e Centro-Oeste terão diferenças entre localidades
Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o comportamento previsto das precipitações apresenta diferenças geográficas.
Segundo as instituições responsáveis pelo monitoramento, partes dessas regiões poderão registrar chuvas acima da média, enquanto outras áreas apresentam condições favoráveis a volumes menores.
Essa distribuição demonstra que os impactos do El Niño não são uniformes.
As previsões regionais devem ser utilizadas como referência para planejamento, mas não substituem os avisos meteorológicos específicos de curto prazo.
Temperaturas devem permanecer elevadas em grande parte do país
Além das alterações no regime de chuvas, os modelos climáticos indicam temperaturas acima da faixa normal climatológica em quase todo o território brasileiro.
A tendência é especialmente relevante para áreas da Região Norte, onde o aquecimento previsto merece acompanhamento.
O Rio Grande do Sul aparece como uma exceção importante, com tendência de temperaturas abaixo da média no trimestre analisado.
Temperaturas elevadas e períodos de chuva reduzida podem aumentar a demanda por água e exigir atenção à saúde, sobretudo entre crianças, pessoas idosas e trabalhadores expostos ao calor.
Em períodos de calor intenso, medidas como hidratação adequada, proteção solar e redução da exposição prolongada nas horas mais quentes são importantes.
A intensidade dos episódios específicos de calor dependerá das condições meteorológicas observadas ao longo dos próximos meses.

Como o fenômeno pode afetar a agricultura?
As alterações nas chuvas e temperaturas também representam um fator de atenção para a produção agropecuária.
Em regiões onde a precipitação ficar abaixo da média, lavouras dependentes de chuva poderão enfrentar condições menos favoráveis, principalmente se a deficiência hídrica persistir durante etapas importantes do desenvolvimento das plantas.
Por outro lado, volumes elevados de precipitação também podem dificultar operações de campo e provocar problemas relacionados ao excesso de umidade.
Os possíveis impactos dependem do cultivo, da localização, das condições do solo e do período de plantio.
Por isso, informações climáticas sazonais podem ajudar produtores rurais e instituições responsáveis pela assistência técnica a acompanhar riscos e planejar atividades.
Sete instituições federais participam do monitoramento
O Painel El Niño 2026–2027 reúne informações técnicas produzidas por sete órgãos federais.
Participam da iniciativa:
- INPE: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais;
- Inmet: Instituto Nacional de Meteorologia;
- ANA: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico;
- Cemaden: Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais;
- SGB: Serviço Geológico do Brasil;
- SEDEC: Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil;
- Censipam: Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia.
O trabalho conjunto permite relacionar informações meteorológicas, hidrológicas e de monitoramento de riscos para apoiar ações preventivas.
As instituições deverão continuar publicando atualizações periódicas sobre a evolução do fenômeno.
O que a população deve fazer durante períodos de risco climático?
O INPE e os demais órgãos participantes recomendam que a população acompanhe os alertas oficiais e conheça os riscos específicos de sua região.
Entre as medidas preventivas estão:
- Acompanhar as previsões e os avisos meteorológicos oficiais;
- Manter atualizado o cadastro para recebimento dos alertas da Defesa Civil;
- Conhecer as áreas de risco próximas à residência;
- Identificar rotas de saída em situações de emergência;
- Evitar atravessar áreas alagadas ou correntes de enxurrada;
- Seguir as orientações dos órgãos de proteção e defesa civil;
- Adotar medidas preventivas em períodos de calor intenso e baixa umidade.
Os avisos de curto prazo devem receber atenção especial porque indicam condições meteorológicas mais próximas da ocorrência de um evento.
Em situações de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Previsões serão atualizadas nos próximos meses
As projeções do quinto boletim indicam que o Brasil poderá enfrentar um período marcado por contrastes regionais de chuva e temperatura entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Embora o El Niño apresente elevada probabilidade de atingir intensidade muito forte, os impactos efetivos dependerão de sua evolução e da interação com outros fenômenos atmosféricos.
Por isso, o acompanhamento contínuo das condições meteorológicas é essencial para diferenciar tendências sazonais de alertas imediatos.
O boletim reforça a importância da prevenção e do planejamento, especialmente nas regiões mais vulneráveis a secas, enchentes e temperaturas extremas.
As próximas atualizações das instituições federais permitirão verificar se as tendências projetadas estão se confirmando e quais áreas exigirão maior atenção.
Fontes verificadas
- INPE — atualizado em 04/11/2026: quinto boletim do Painel El Niño 2026–2027, com previsões para os próximos três meses e orientações preventivas.
- Inmet — 29/10/2026: projeções de chuva, temperatura e possíveis impactos do fenômeno no Brasil.
- Inmet — 10/09/2026: explicação da evolução das projeções e do acompanhamento das condições oceânicas ao longo de 2026.


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