Jerônimo assina acordo de 25 anos para gestão da Hidrovia do São Francisco pela Codeba; veja o que muda
Convênio firmado em Brasília delega à companhia a administração da hidrovia por 25 anos, inclui a Eclusa de Sobradinho e 15 instalações portuárias e busca recuperar a navegação comercial no Rio São Francisco.
Por Redação TudoCertoNaBahia
Salvador (BA) — 5 de novembro de 2026
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), participou, na quarta-feira (4), em Brasília, da assinatura de um convênio que delega à Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) a gestão da Hidrovia do Rio São Francisco, identificada como HN-500. O acordo tem validade de 25 anos e pretende criar condições para a recuperação da infraestrutura e a retomada do transporte comercial pela via navegável.
A formalização ocorreu durante uma agenda com o Ministério de Portos e Aeroportos e estabelece novas responsabilidades para a Codeba, autoridade portuária federal que passará a administrar, operar e realizar serviços de manutenção e conservação das estruturas abrangidas pelo convênio.
Entre os equipamentos contemplados estão a Eclusa de Sobradinho e 15 Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4), localizadas na Bahia, em Pernambuco e em Alagoas.
De acordo com a Codeba, a iniciativa apresenta potencial de beneficiar aproximadamente 11,5 milhões de pessoas nas regiões relacionadas ao projeto. O número corresponde a uma estimativa institucional, e não à quantidade de usuários que já utilizam a hidrovia.
A proposta busca melhorar as condições de navegabilidade, ampliar a segurança operacional e fortalecer o transporte de mercadorias e passageiros entre municípios do Vale do São Francisco.

O que muda com a transferência da gestão para a Codeba?
O convênio estabelece a delegação de atividades relacionadas à administração e ao funcionamento da Hidrovia do São Francisco. A Codeba ficará responsável por coordenar serviços necessários à manutenção e à recuperação das estruturas incluídas no acordo.
Entre as atribuições previstas estão:
- Administração: gerenciamento das atividades e estruturas contempladas pelo convênio;
- Operação: organização dos serviços relacionados ao funcionamento da via navegável;
- Manutenção: execução e coordenação de ações para preservar as condições de utilização;
- Conservação: acompanhamento das estruturas existentes;
- Restauração e recuperação: intervenções destinadas a melhorar as condições da infraestrutura hidroviária;
- Instalações portuárias: gestão dos equipamentos públicos de pequeno porte incluídos no acordo.
Embora a gestão seja delegada à Codeba, o acordo não representa a privatização ou a transferência da propriedade dos bens públicos.
Segundo a companhia, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) continuará responsável pela supervisão do convênio, preservando suas competências legais.
O instrumento também estabelece prazo de até 90 dias para a transição dos contratos relacionados às atividades delegadas.
Retomada da navegação comercial poderá beneficiar a produção regional
Uma das principais expectativas relacionadas ao convênio é ampliar as possibilidades de transporte de cargas pelo Rio São Francisco.
Entre os produtos que poderão utilizar o corredor logístico estão frutas, grãos, algodão e insumos agrícolas produzidos em diferentes regiões do Vale do São Francisco.
O transporte hidroviário representa uma alternativa para movimentar grandes volumes de mercadorias, especialmente quando existe infraestrutura adequada para integrar a navegação aos demais sistemas logísticos.
A recuperação da hidrovia poderá contribuir para conectar áreas produtoras a rodovias, ferrovias e estruturas portuárias, ampliando as possibilidades de circulação comercial.
Entretanto, o convênio não significa que o transporte regular de cargas será retomado imediatamente. A operação dependerá das condições de navegabilidade, das intervenções necessárias e da organização dos serviços.
Intervenções estão previstas para o segundo semestre de 2027
Durante a cerimônia, o governador Jerônimo Rodrigues destacou a importância da hidrovia para o planejamento da infraestrutura de transportes na Bahia.
Segundo o governador, a expectativa é que as intervenções previstas comecem no segundo semestre de 2027.
“Nossa expectativa é que, no segundo semestre de 2027, tenham início as intervenções previstas. Estamos trabalhando para integrar cada vez mais a logística da Bahia, conectando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e também a hidrovia do São Francisco”, afirmou Jerônimo Rodrigues, conforme comunicado do Governo da Bahia.
O prazo mencionado representa uma previsão da administração estadual e poderá depender de etapas técnicas, contratações e procedimentos necessários à realização dos trabalhos.
Não foi divulgado, no comunicado estadual utilizado como base, um cronograma detalhado de conclusão de todas as intervenções.
Acordo envolve estados do Nordeste e integração com Minas Gerais
O Rio São Francisco possui importância econômica, ambiental e histórica para diferentes regiões brasileiras.
O novo modelo de gestão busca melhorar as condições para a circulação de cargas e passageiros ao longo do corredor hidroviário, fortalecendo a integração regional.
As 15 instalações portuárias de pequeno porte incluídas na delegação estão distribuídas entre Bahia, Pernambuco e Alagoas, conforme informações da Codeba.
O projeto também apresenta potencial de conexão econômica com Minas Gerais, estado que integra a região de influência do Rio São Francisco.
O alcance da retomada comercial dependerá da recuperação da infraestrutura, da disponibilidade de trechos navegáveis e da articulação entre os diferentes meios de transporte.
Codeba projeta movimentação de cargas com novo modelo
Em comunicado publicado nesta quinta-feira (5), a Codeba apresentou novas informações sobre as expectativas relacionadas à operação da hidrovia.
O presidente da companhia, Antonio Gobbo, mencionou uma projeção de movimentação de 5 milhões de toneladas de cargas no primeiro ano de operação.
O volume representa uma expectativa apresentada pela administração da companhia, e não um resultado já alcançado.
A previsão dependerá de fatores como a implantação das melhorias, a disponibilidade operacional da hidrovia, a demanda comercial e a integração com outros corredores logísticos.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, também defendeu o potencial do transporte hidroviário para ampliar as alternativas de escoamento da produção e melhorar as condições de navegação.
A proposta busca oferecer maior previsibilidade para operadores e empresas interessadas em utilizar a infraestrutura.

Jerônimo também discute segurança no Aeroporto de Ilhéus
Durante a agenda em Brasília, Jerônimo Rodrigues também tratou de projetos relacionados à infraestrutura aeroportuária baiana.
Um dos assuntos discutidos com o ministro Tomé Franca foi a implantação do Engineered Material Arresting System (EMAS), sistema de segurança previsto para a cabeceira 29 da pista do Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, no sul da Bahia.
O equipamento utiliza uma estrutura especialmente projetada para desacelerar aeronaves que ultrapassem os limites da pista, reduzindo os riscos associados a esse tipo de ocorrência.
O projeto já havia sido tratado em agenda institucional realizada em outubro, quando foi assinado um termo de compromisso para sua implantação.
Segundo a Secretaria de Infraestrutura da Bahia, a iniciativa prevê investimento superior a R$ 60 milhões, com recursos vinculados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A reunião de novembro representa continuidade das articulações sobre o projeto, e não a confirmação de que o sistema já foi instalado ou entrou em funcionamento.
Quais são os próximos passos para a hidrovia?
Com o convênio formalizado, a implementação do novo modelo de gestão exigirá a transição das responsabilidades operacionais e o planejamento das intervenções necessárias.
Entre os pontos que deverão ser acompanhados estão a transferência dos contratos, a organização da administração da via navegável e a definição dos serviços de recuperação das estruturas.
Também será importante acompanhar a divulgação de informações sobre investimentos, cronograma de obras e condições efetivas para a retomada da navegação comercial.
Para o Governo da Bahia e a Codeba, o acordo representa uma oportunidade de ampliar a integração logística regional e recuperar a importância econômica do transporte fluvial pelo São Francisco.
Os resultados concretos dependerão da execução das intervenções e da capacidade de transformar a estrutura prevista no convênio em serviços regulares e seguros para o transporte de pessoas e mercadorias.
Fontes verificadas
- Governo da Bahia / Secom — 04/11/2026: comunicado oficial sobre a assinatura do convênio, atribuições da Codeba, previsão das intervenções e agenda do governador em Brasília.
- Codeba — 05/11/2026: confirmação da assinatura, abrangência de 15 instalações portuárias, estimativa de beneficiários, prazo de transição contratual e projeções de transporte de cargas.
- Codeba — 04/11/2026: informações sobre a estrutura da delegação, a Eclusa de Sobradinho e os objetivos da gestão hidroviária.
- Secretaria de Infraestrutura da Bahia — 14/10/2026: informações sobre o sistema EMAS no Aeroporto Jorge Amado e os investimentos previstos.
- Alô Alô Bahia — 04/11/2026: cobertura jornalística do acordo e de suas perspectivas para o transporte regional.
- Eduardo Aiache/GOVBA: material institucional e crédito fotográfico fornecidos à redação.

