Novo Desenrola 3.0: Governo assumirá dívidas e descontos podem chegar a 90%

O Governo Federal oficializou a criação do Desenrola 3.0, que traz uma mudança estrutural no formato de renegociação de dívidas de pessoas físicas. Diferente das edições anteriores, onde o governo atuava apenas como intermediário, agora a União comprará carteiras de dívidas em leilões e repassará 100% do desconto obtido diretamente ao consumidor. Nos leilões, a exigência será de um deságio mínimo de 90% por parte dos credores. Com isso, uma dívida original de R$ 10 mil, por exemplo, poderá ser renegociada e quitada por R$ 1 mil.

O programa engloba dívidas bancárias e não bancárias, o que inclui pendências com o varejo e contas de concessionárias como água, luz e telefone. Para serem elegíveis, as dívidas precisam ter o valor original de até R$ 10 mil por contrato e acumular entre 720 e 1.645 dias de atraso (o que representa de dois a quatro anos e meio de inadimplência), contados a partir de 25 de setembro de 2026. Após a aplicação do desconto, o consumidor terá a opção de pagar o saldo à vista ou parcelado. No caso de parcelamento, incidirão juros que ainda serão regulamentados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O cronograma de execução prevê o lançamento do edital aos credores em novembro de 2026, com a assinatura dos contratos e a liberação das opções de quitação para os cidadãos agendada para fevereiro de 2027. A meta do Ministério da Fazenda é efetivar a renegociação de R$ 75 bilhões. A medida mira em um cenário nacional onde há quase 84 milhões de pessoas com o nome restrito, sendo a maioria (56%) mulheres, com as dívidas de origem não bancária representando a maior fatia do problema (55%). Nas suas duas primeiras fases, o programa já atendeu cerca de 25 milhões de devedores.

Opinião do site

A terceira fase do Desenrola apresenta a estratégia mais incisiva do programa até agora. Ao colocar o governo como o comprador direto dessas carteiras de crédito com a exigência de um desconto mínimo de 90%, a medida cria uma via real e acessível para tirar milhões de brasileiros do sufoco financeiro. É um alívio indispensável em um país onde quase 84 milhões de pessoas estão inadimplentes, acumulando uma média de quatro dívidas cada.

O acerto da proposta também reside em abranger as dívidas não bancárias — como contas de água, luz e compras no varejo — que representam a maior parte dos débitos e afetam diretamente a camada mais vulnerável da população. No entanto, o sucesso final dessa iniciativa para o consumidor dependerá fortemente das regras de parcelamento que o Conselho Monetário Nacional ainda irá definir. É crucial que os juros aplicados sobre o novo saldo devedor sejam estritamente controlados, para garantir que essa renegociação seja de fato uma saída sustentável, e não o início de uma nova armadilha de crédito.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.