PF mira grupo suspeito de levar mais de 270 brasileiros ilegalmente aos EUA e bloqueará até R$ 27 milhões
Operação Chihuahua cumpre mandados em Minas Gerais e investiga rede que teria cobrado cerca de US$ 20 mil por pessoa para organizar viagens até os Estados Unidos pela fronteira mexicana.
Por Redação TudoCertoNaBahia
Salvador (BA) — 6 de novembro de 2026
A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (6), a Operação Chihuahua para investigar uma associação criminosa suspeita de organizar a entrada irregular de mais de 270 brasileiros nos Estados Unidos. A ação concentra diligências no município de Central de Minas, no leste de Minas Gerais.
De acordo com as investigações, o grupo teria estruturado um sistema de viagens que começava com a saída dos migrantes do Brasil por via aérea e terminava com a travessia irregular da fronteira entre o México e os Estados Unidos.
A Polícia Federal cumpre 14 mandados de busca e apreensão e busca localizar veículos vinculados aos investigados, além de executar medidas patrimoniais autorizadas pela Justiça.
Uma decisão judicial também autorizou o bloqueio de até R$ 27 milhões relacionados à organização investigada. O valor representa um limite determinado pela Justiça, não a confirmação de que toda essa quantia já foi efetivamente bloqueada.
Segundo a corporação, o grupo teria utilizado empresas para movimentar recursos e ocultar patrimônio, com transações que alcançaram aproximadamente R$ 270 milhões durante o período analisado.

Como funcionava o esquema investigado pela Polícia Federal?
As investigações apontam que o principal suspeito coordenava as etapas necessárias para levar os brasileiros até os Estados Unidos sem cumprir os procedimentos regulares de entrada no país.
A operação teria início com a organização das viagens e a saída dos interessados do Brasil por transporte aéreo. Posteriormente, os migrantes seguiriam para o México, onde ocorria a etapa final de entrada irregular em território norte-americano.
Segundo a PF, a associação criminosa é investigada por ter organizado a ida de mais de 270 brasileiros aos Estados Unidos entre 2021 e 2024.
Os investigadores estimam que cada migrante pagava aproximadamente US$ 20 mil pela promessa de chegar ao país.
O valor correspondia a cerca de R$ 110 mil na conversão apresentada pela cobertura jornalística da operação. O custo efetivo em reais poderia variar conforme a cotação do dólar na data de cada pagamento.
A Polícia Federal investiga a participação de diferentes pessoas na organização das viagens e no gerenciamento dos recursos financeiros associados à atividade.
Sete empresas teriam movimentado R$ 270 milhões
Outro foco da investigação é a estrutura empresarial supostamente utilizada pelos suspeitos para movimentar recursos e dificultar o rastreamento de valores de origem ilícita.
Conforme a Polícia Federal, o principal investigado teria organizado essa estrutura com o auxílio de seu irmão, apontado como uma pessoa de confiança, e de outros sete suspeitos.
O grupo teria operado sete empresas responsáveis por transações financeiras de elevado valor.
Durante o período analisado, o conjunto dessas empresas teria movimentado aproximadamente R$ 270 milhões.
Desse total, quase R$ 12 milhões seriam provenientes do contrabando de migrantes, segundo a avaliação dos investigadores.
É importante distinguir os números: os R$ 270 milhões representam a movimentação financeira apontada pela investigação, enquanto os quase R$ 12 milhões correspondem à parcela que a Polícia Federal suspeita estar diretamente relacionada ao envio irregular de pessoas.
Isso não significa que todo o montante movimentado pelas empresas seja necessariamente de origem criminosa.
Justiça autoriza bloqueio de até R$ 27 milhões e apreensão de veículos
As medidas judiciais autorizadas também atingem o patrimônio vinculado aos investigados.
Além dos 14 mandados de busca e apreensão executados em Central de Minas, a operação prevê o cumprimento de 16 mandados voltados à localização e apreensão de veículos submetidos a sequestro judicial.
A Justiça autorizou ainda o bloqueio de valores de até R$ 27 milhões, com o objetivo de preservar recursos e bens relacionados às suspeitas investigadas.
O chamado sequestro judicial de bens é uma medida patrimonial utilizada durante investigações e processos criminais para impedir que determinados ativos sejam ocultados, vendidos ou transferidos irregularmente.
A adoção dessas medidas não representa, por si só, uma condenação criminal.
Os investigadores também realizaram análises financeiras autorizadas judicialmente para identificar possíveis mecanismos de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
Até a atualização consultada nesta sexta-feira, não havia confirmação pública do cumprimento integral de todas as medidas patrimoniais determinadas.

Por que a operação recebeu o nome de Chihuahua?
Chihuahua é o nome de um estado localizado no norte do México, próximo à fronteira com os Estados Unidos.
A operação investiga uma rota internacional que passava pelo território mexicano antes da entrada irregular dos migrantes nos Estados Unidos.
O material divulgado pela Polícia Federal identifica a investigação como Operação Chihuahua, mas não detalha uma justificativa oficial específica para a escolha do nome.
O caso evidencia a atuação de intermediários que exploram a busca de brasileiros por oportunidades de trabalho, renda e residência no exterior.
Ainda assim, é necessário distinguir a atividade criminosa investigada da situação individual dos migrantes, cujas circunstâncias precisam ser examinadas separadamente.
O que é o crime de contrabando de migrantes?
No Brasil, o crime de promoção de migração ilegal está previsto no artigo 232-A do Código Penal.
A legislação pune, entre outras condutas, a promoção da entrada ilegal de brasileiro em país estrangeiro com a finalidade de obter vantagem econômica.
A pena prevista para o crime é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, sem prejuízo de outras infrações eventualmente identificadas.
O contrabando de migrantes não deve ser confundido automaticamente com o tráfico de pessoas, pois os dois crimes possuem elementos jurídicos distintos.
Na Operação Chihuahua, a Polícia Federal também investiga possíveis práticas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
A responsabilização dependerá da apuração das condutas individuais, das provas reunidas e das decisões judiciais.
Travessias irregulares podem expor migrantes a situações de risco
A utilização de rotas clandestinas e intermediários não autorizados pode expor pessoas a extorsão, golpes, abandono e outras situações de vulnerabilidade.
Quando a viagem envolve fronteiras internacionais, os riscos podem aumentar devido à falta de garantias sobre transporte, hospedagem, documentação e assistência.
Por isso, brasileiros que pretendem viajar, trabalhar ou estabelecer residência em outro país devem consultar previamente as exigências migratórias oficiais.
No caso dos Estados Unidos, informações sobre categorias de visto e procedimentos podem ser verificadas nos canais do Departamento de Estado norte-americano e das representações consulares.
A promessa de entrada garantida mediante pagamento a intermediários não deve ser confundida com uma autorização legal de imigração.
O que acontece agora com a investigação?
Com a deflagração da Operação Chihuahua, a Polícia Federal deverá prosseguir com a análise dos documentos, equipamentos e demais materiais obtidos durante as diligências.
O trabalho também deverá aprofundar a investigação sobre a origem e o destino dos valores movimentados pelas empresas relacionadas aos suspeitos.
Até as informações públicas consultadas nesta sexta-feira, não havia divulgação de uma relação completa de prisões decorrentes da operação.
Também não foram divulgados, nas fontes consultadas, os nomes de todos os investigados ou a identificação integral das empresas envolvidas.
A investigação ainda poderá resultar em novas diligências, dependendo da análise dos elementos recolhidos.
Os investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência. As acusações deverão ser examinadas pelos órgãos competentes e pelo Poder Judiciário.
O TudoCertoNaBahia continuará acompanhando eventuais atualizações oficiais sobre a Operação Chihuahua e seus desdobramentos.
Fontes verificadas
- Comunicação Social da Polícia Federal em Minas Gerais — 06/11/2026: comunicado institucional reproduzido com informações sobre a Operação Chihuahua, os mandados e a movimentação financeira investigada.
- UOL Notícias — 06/11/2026: confirmação da investigação, da rota via México, dos valores cobrados e das medidas judiciais.
- BHAZ — 06/11/2026: cobertura da operação realizada em Minas Gerais, com dados atribuídos à Polícia Federal.
- Diário do Aço — 06/11/2026: reprodução de informações da comunicação institucional da PF sobre os investigados, as empresas e as medidas patrimoniais.
- Código Penal Brasileiro: artigo 232-A, referente ao crime de promoção de migração ilegal.


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